Diretor de Investimentos da PWL Capital: Quais das dez principais armadilhas financeiras você caiu?

Fonte: 《The Diary Of A CEO》 podcast; Tradução: Felix, PANews

O gerente de portfólio e diretor de investimentos da PWL Capital, Ben Felix, é um especialista em investimentos baseado em evidências, que transforma pesquisas financeiras acadêmicas em decisões práticas que qualquer pessoa pode entender. Recentemente, Ben Felix foi convidado ao podcast 《The Diary Of A CEO》, onde revelou por que a maioria das pessoas toma decisões financeiras ruins. A PANews organizou os principais trechos do diálogo.

Apresentador: Existem muitos especialistas em finanças pessoais e investimentos no mundo. Sua abordagem difere de outros especialistas financeiros no YouTube?

Ben: A abordagem que sempre tento é extrair sabedoria da literatura acadêmica. Ver quais conclusões esses estudiosos que dedicaram muito tempo a esses temas chegaram, e então aplicar isso às decisões financeiras comuns. Seja alugando ou comprando uma casa, ou alocando ativos, seja você com 10 mil dólares ou 10 milhões, os princípios de investimento são os mesmos.

Apresentador: Quanto do sucesso nos investimentos é causado por fatores psicológicos?

Ben: O problema do investimento já foi “resolvido”: basta comprar fundos de índice de baixo custo. A verdadeira dificuldade está na nossa psicologia. O cérebro foi projetado para a sobrevivência, não para lidar com conceitos abstratos de longo prazo, como pegar seu dinheiro hoje, investir na bolsa, ignorar o que acontece durante o período, e ainda assim ter dinheiro para a aposentadoria no futuro. As pessoas falam muito de estratégias e técnicas, mas acredito que a capacidade de executar qualquer estratégia depende do estado psicológico de cada um. Uma das melhores maneiras, embora pareça contraintuitiva, é não olhar para seus investimentos. Pesquisas acadêmicas mostram que quanto mais você verifica sua conta de investimentos, menor é sua tolerância ao risco e pior é o retorno. Porque acompanhar as oscilações diárias do mercado causa ansiedade extrema, levando a uma falsa impressão de que o mercado é extremamente arriscado; enquanto, para quem compra e mantém por longo prazo, o mercado é na verdade muito mais seguro do que parece.

Apresentador: Que conselho você daria a jovens de pouco mais de 20 anos que estão pensando em estratégias financeiras?

Ben: É um tema delicado. Jovens geralmente enfrentam uma grande pressão de poupar, vinda dos pais e da sociedade. Mas estudos mostram que poupar excessivamente em períodos de baixa renda pode não ser a melhor estratégia; a regra geral é poupar mais quando a renda é maior e poupar menos quando a renda é menor. Claro, desde que isso não leve a um hábito ruim de gastar tudo e não poupar quando a renda aumentar.

Apresentador: Agora, vamos explorar os 10 erros financeiros mais comuns que você mencionou.

Ben: Certo, o erro 1 é ganhar pouco. Muitas pessoas acham que uma renda baixa é algo que não podem controlar, mas na verdade podem investir em seu capital humano, como educação formal, aprender novas habilidades ou empreender, tornando-se um ativo mais valioso. Dados acadêmicos confirmam que educação e habilidades têm uma relação causal mecânica com a renda ao longo da vida.

Apresentador: Sempre acreditei que, na juventude, o melhor é otimizar ao máximo “conhecimento” e “habilidades”. O segredo é adquirir combinações de habilidades valorizadas pelo mercado, escassas e complementares. Por exemplo, estudar engenharia e finanças, e ainda aprender a criar conteúdo para o YouTube, aumenta muito seu potencial de ganho. Quando trabalhei com marketing em uma biotech, descobri que um redator sem formação médica, que entendia um pouco de escrita científica, recebia até 25 mil dólares, cinco vezes mais que um redator comum. Vender habilidades certas para o mercado faz seu rendimento crescer exponencialmente.

Ben: Sim, o erro 2 é poupar pouco. A riqueza cresce pelo efeito de juros compostos ao longo do tempo. Se você não poupou o suficiente no começo, será muito difícil alcançar seus objetivos depois. É como a saúde: se você tem uma alimentação ruim e nunca se exercita, aos 55 anos pode desenvolver uma doença cardíaca que será difícil de reverter.

Apresentador: É como a metáfora do livro 《The Slight Edge》 sobre escovar os dentes: se você não escovar hoje, tudo bem; se não escovar essa semana, também não há problema; mas se deixar de escovar por cinco anos, aí acabou, e só resta ir ao dentista para extrair os dentes. O mesmo vale para as finanças.

Ben: O erro 3 é não estabelecer metas financeiras. As pessoas costumam perseguir dinheiro ou comprar casa sem pensar no que realmente desejam para uma vida feliz. Propomos uma abordagem em três passos: primeiro, liste seus objetivos; depois, dobre o número de objetivos para estimular uma reflexão mais profunda; por último, use o modelo “PERMA” (emoções positivas, envolvimento/fluxo, relacionamentos, significado, realização) para verificar esses objetivos.

Apresentador: E se minha meta for comprar um Ferrari?

Ben: Um Ferrari pode não se encaixar no modelo PERMA, pois a felicidade que ele traz dura poucos dias. Mas se você dirigir na pista, sentindo o envolvimento (imersão), ou se isso te ajudar a fazer parte de um grupo de entusiastas de carros esportivos (relacionamentos), então pode ter significado.

Erro 4 é gastar demais com coisas erradas. Por exemplo, gastar 12 dólares por dia em café gelado só para tomar rapidamente antes de ir trabalhar não aumenta sua felicidade, e ainda tira dinheiro que poderia estar guardando para uma vida melhor.

Erro 5 é não assumir riscos de investimento. O custo de oportunidade de não investir na bolsa é enorme. Se manter dinheiro em caixa rende 2%, enquanto o mercado tem uma expectativa de retorno de 7% a longo prazo, essa diferença de 5% no juros compostos é surpreendente. Investir 10 mil dólares hoje, com uma taxa de 7% ao ano, se transformará em 150 mil dólares em 40 anos. Em outras palavras, gastar 10 dólares em um café equivale a abrir mão de 150 dólares daqui a 40 anos.

Erro 6 é assumir riscos errados. Muitos evitam fundos de índice e preferem especular com ações, opções ou criptomoedas, que têm retorno esperado negativo e custos de transação elevados.

Apresentador: E quanto a comprar casa? Essa é a maior decisão na vida de muitas pessoas.

Ben: Não vejo a compra de uma casa para morar como um investimento; na verdade, você está adquirindo um ativo que fornece moradia. O valor do imóvel tem um custo de oportunidade alto, pois poderia ser investido na bolsa. Além disso, há custos irrecuperáveis, como juros do financiamento, impostos de propriedade (0,5% a 1%) e custos de manutenção, que muitas vezes superam em muito o valor de mercado do imóvel.

Apresentador: Exatamente. Depois de comprar uma casa no exterior, os custos de jardim, bomba d’água, piso e aquecimento sempre dão problema. Se eu alugasse, esses problemas não seriam meus, e ainda economizaria tempo com manutenção.

Ben: Sim, além de custos de reparos emergenciais e reformas. Tenho uma “regra de 5%” para avaliar o custo de comprar versus alugar. Por exemplo, uma casa de 300 mil dólares, com um custo mensal de 1500 dólares. Se o aluguel mensal for igual ou menor que isso, alugar é mais vantajoso financeiramente. Além disso, comprar casa limita bastante a mobilidade dos jovens. Em Toronto, por exemplo, o preço dos apartamentos caiu bastante, e se você comprou na alta e recebeu uma oferta de emprego no exterior, pode ficar preso.

Quanto ao exemplo de alguém que comprou uma casa por 70 mil há 30 anos e hoje vale 1 milhão, não podemos usar os retornos passados, quando as taxas de juros eram baixas e a população crescia, para prever o futuro. No Canadá, quem comprou na máxima de 2021, descontada a inflação, está passando por uma forte desvalorização do patrimônio. Para quem valoriza liquidez, fundos de índice são uma escolha melhor. Somente quem é extremamente avesso ao risco e quer estabilidade a longo prazo deve considerar comprar casa.

Erro 7 é perder oportunidades de planejamento tributário. Pessoas comuns devem aproveitar ao máximo contas isentas ou com diferimento de impostos, como RRSP/TFSA no Canadá, 401k/IRA nos EUA, ISA no Reino Unido. Os ricos usam brechas, como hipotecar ações para obter empréstimos isentos de impostos, sem vender as ações e pagar imposto sobre ganhos de capital, mas quem usa ativos voláteis como garantia enfrenta risco de chamadas de margem.

Erro 8 é negligenciar o planejamento sucessório. Não fazer testamento pode fazer seus bens serem distribuídos de forma padrão pelo governo, gerando altos impostos e entregando dinheiro às pessoas erradas. Se você tem dependentes, fazer um testamento é fundamental.

Erro 9 é a escolha do parceiro de casamento. Pesquisas acadêmicas dividem as pessoas em “poupa” e “gasta”. Esses dois tipos tendem a se atrair e casar, mas isso muitas vezes leva a insatisfação conjugal e conflitos financeiros.

Apresentador: Tenho um amigo bem-sucedido que se divorciou após 6 ou 7 anos de litígio, com advogados que incentivaram a discórdia e cobraram altas taxas, destruindo uma relação que poderia ter sido boa, além de reduzir seus bens. Se tivessem feito um acordo pré-nupcial, tudo teria sido mais rápido.

Ben: Sim, um acordo pré-nupcial, embora pouco romântico, pode evitar desastres financeiros futuros, desde que ambas as partes aceitem.

Erro 10 é não se proteger contra riscos catastróficos. Se você é o principal provedor da família, deve comprar seguro de vida suficiente (como seguro de vida temporário de baixo custo) e seguro de invalidez, para evitar que a perda de renda destrua a estabilidade familiar.

Apresentador: E quanto à alocação de ativos? Você mencionou um artigo “a mais controversa teoria financeira”?

Ben: A visão tradicional é que, na juventude, deve-se investir mais em ações, e na velhice, migrar para títulos. Mas um estudo que analisou dados de 39 países desde 1890 descobriu que a estratégia ótima de longo prazo é manter 100% de ações ao longo da vida, com um terço de ações domésticas e dois terços de ações internacionais para diversificação. O estudo conclui que, em períodos de alta inflação, os títulos considerados “seguros” podem ser destruídos, enquanto as ações são mais resistentes.

Apresentador: Existem produtos financeiros que as pessoas definitivamente não deveriam tocar?

Ben: Sim. Primeiro, fundos de “venda coberta de opções de compra” (covered call). Para obter uma renda de opções, eles sacrificam o potencial de alta das ações, com custos ocultos elevados. Segundo, ETFs temáticos (investimento em IA, maconha, energia limpa), que geralmente aparecem no pico de mercado, quando os ativos estão em bolha, e depois despencam, com retornos ruins. Por fim, guardar dinheiro debaixo do colchão. Com uma inflação de 3%, seu dinheiro perde metade do poder em 20 anos. Manter dinheiro em caixa é um risco de retorno negativo. A melhor estratégia é investir em fundos de índice de baixo custo.

Apresentador: Estamos vivendo uma fase de explosão de IA, e há preocupações de que a automação elimine empregos, além de um fluxo massivo de capital que pode causar uma bolha. Como você vê isso?

Ben: Historicamente, revoluções tecnológicas sempre trazem disrupções. Quando surgiram os caixas eletrônicos, pensaram que os caixas de banco iriam desaparecer; mas, por reduzir custos, os bancos abriram mais agências, e o número de caixas aumentou. Há também a “paradoxo de Jevons”: quando o motor a carvão se torna mais eficiente, o custo de transporte diminui, levando mais pessoas a viajar de trem, e a indústria do carvão prospera. Quanto a uma crise de mercado, um artigo de 1847 mostrou que, mesmo em tempos de pânico e incerteza, a história mostra que a humanidade sempre supera, e o mercado de ações tende a subir no longo prazo. Claro que, no início de uma revolução tecnológica, há uma entrada de capital que inflaciona os ativos, mas isso é parte do ciclo normal.

Apresentador: Então, como devemos pensar ao comprar ações? Meu amigo disse que, ao pagar 10 dólares por ações do Facebook, o mercado já precificou todas as boas notícias e expectativas futuras. A menos que eu saiba de algo que os outros não sabem.

Ben: Isso é a hipótese do mercado eficiente. Quando você compra ações como Tesla, todas as informações públicas já estão refletidas no preço. Comprar ações é, na essência, descontar o fluxo de caixa futuro esperado da empresa. Portanto, tentar vencer o mercado escolhendo ações ou tentando cronometrar é inútil. A maioria dos gestores profissionais de fundos, a longo prazo, fica atrás do índice. A melhor estratégia é investir em fundos de índice, aceitar o retorno do mercado e esquecer a senha da conta. Concentre-se no que você pode controlar: poupar, alocar ativos e planejar impostos.

Apresentador: Estudos da Fidelity e Berkeley mostram que mulheres tendem a ter retornos maiores em investimentos, pois os homens negociam com mais frequência. Você concorda?

Ben: Concordo totalmente. Os homens costumam ser excessivamente confiantes, tentam escolher ações e fazem negociações frequentes, o que também está ligado ao risco de vício em jogos de azar, levando a resultados piores. Não mexer demais é a chave para o sucesso nos investimentos.

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