Putin está em apuros? Ex-altos funcionários russos escrevem: as elites estão se fragmentando, o PIB está sendo cortado pela metade, a popularidade está caindo, o sistema está desmoronando, contagem regressiva.

Uma ex-alta funcionária do Kremlin escreveu anonimamente para The Economist, revelando que a elite russa está sutilmente se afastando de Putin. Nos últimos três anos, o governo estimou confiscar cerca de 60 bilhões de dólares em ativos privados; a inflação está alta, as previsões de PIB foram cortadas pela metade, e a taxa de apoio a Putin caiu de mais de 80% antes da guerra para 65,6%, indicando uma mudança na situação.
(Resumindo: Rússia planeja proibir totalmente exportação de gasolina a partir de 1º de abril! Para evitar o controle de preços internos, pode impulsionar a inflação global)
(Complemento: Protestos em grande escala no Irã se intensificam: mil pessoas presas, internet cortada de uma só vez, príncipe exilado convoca revolta… repressão severa à vista?)

Índice deste artigo

Alternar

  • 60 bilhões de dólares em ativos evaporaram: a proteção dos oligarcas morreu
  • Números econômicos falam: inflação, déficit, PIB caem juntos
  • Putin se refugia em bunkers para administrar a guerra, abandona a governança
  • A resistência não explodirá amanhã, mas a corrupção está acelerando

Uma ex-alta funcionária do Kremlin recentemente escreveu anonimamente para a revista The Economist, apontando que funcionários do governo de Moscou, governadores locais e empresários, ao descreverem as ações de Putin, passaram a usar “ele” em vez de “nós”. Essa mudança gramatical quase imperceptível é, na verdade, um sinal de afastamento pouco visto na elite do poder russo por anos.

A ex-funcionária escreveu:

“Ironicamente, Putin iniciou essa guerra para consolidar seu poder e proteger o sistema que construiu. Mas, desde o início do conflito, os russos começaram a imaginar um futuro sem ele.”

60 bilhões de dólares em ativos evaporaram: a proteção dos oligarcas morreu

Um dos motivos diretos do afastamento da elite é o colapso completo do mecanismo de proteção patrimonial. Essa ex-funcionária estima que, nos últimos três anos, o governo do Kremlin confiscou cerca de 60 bilhões de dólares (aproximadamente 1,9 trilhão de ienes taiwaneses) de ativos de empresários privados, sendo alguns nacionalizados diretamente, outros transferidos para aliados de Putin.

O artigo aponta: “A elite não desenvolveu um desejo repentino por Estado de Direito ou democracia. Mas até mesmo os leais ao regime desejam regras e instituições justas para resolver disputas.” Antes, os ricos russos podiam confiar no sistema jurídico ocidental para proteger seus bens no exterior; porém, com as proibições de saída e as sanções ocidentais, essa rota foi completamente fechada.

Números econômicos falam: inflação, déficit, PIB caem juntos

O desgaste no campo de batalha também está corroendo quantificavelmente a economia russa. O Banco Central da Rússia prevê que a inflação atingirá entre 5,0% e 5,5% em 2026, tendo sido forçado a elevar a taxa básica de juros a 21%, o que agravou rapidamente o endividamento de empresas e tomadores, aumentando os casos de inadimplência e alertando para uma crise financeira.

As perspectivas de crescimento também são sombrias. O vice-primeiro-ministro Novák revisou drasticamente a previsão de crescimento do PIB para 2026, de 1,3% para 0,4%, enquanto o déficit orçamentário acumulado nos dois primeiros meses de 2026 já atingiu 5,99 trilhões de rublos. Os ataques militares na Ucrânia também causaram perdas de pelo menos 40% na capacidade de refino de petróleo da Rússia, prejudicando estruturalmente a receita energética.

Para controlar ainda mais a fuga de ativos, Putin proibiu, a partir de 1º de maio de 2026, a exportação de barras de ouro superiores a 100 gramas.

Sob a pressão de altas taxas de juros e inflação, a mudança na opinião pública já se reflete nos números oficiais: pesquisas de institutos de opinião estatais mostram que a aprovação de Putin caiu de mais de 80% antes da guerra para 65,6%; há também relatos de que a confiança na sua liderança caiu para 29,5%.

Putin se refugia em bunkers para administrar a guerra, abandona a governança

Ao mesmo tempo, Putin está se retirando cada vez mais da cena pública. Fontes do Financial Times revelam que ele passa 70% do tempo em bunkers subterrâneos, gerenciando minuciosamente a guerra, altamente atento a golpes ou assassinatos por drones ucranianos; os outros 30% do tempo são dedicados a outros assuntos, incluindo a gestão da economia.

A ex-funcionária descreve que o regime parou de vender qualquer narrativa de “renascimento nacional” ou “modernização” ao público, restando apenas repressão, censura e controle. O governo bloqueia fortemente a internet, tentando esconder os números de vítimas e as dificuldades econômicas, mas isso provoca forte reação da população comum.

O “contrato implícito” na sociedade russa — de que, desde que não se envolva na política, a vida privada será preservada — já acabou. “As pessoas são obrigadas a demonstrar lealdade, mas ninguém lhes diz para quê exatamente essa lealdade serve para o futuro”, escreve a ex-funcionária.

A resistência não explodirá amanhã, mas a corrupção está acelerando

Apesar disso, essa ex-funcionária alerta que não se deve ser excessivamente otimista: o Estado ainda controla firmemente a máquina repressiva e os mecanismos de medo, e uma rebelião não é iminente. A linguagem de divisão não equivale a ações políticas concretas.

Ela conclui apontando as contradições sistêmicas: “Enquanto Putin estiver no poder, o sistema continuará operando. Mas cada movimento dele para manter e ampliar o poder acelera a decadência do próprio sistema.”

À medida que a ordem global baseada em regras vai se retraindo, o espaço que a Rússia tinha de manipular instituições internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, também encolhe. A diminuição da influência ocidental faz com que a Rússia perca seu inimigo imaginado de longa data, mergulhando em uma crise de identidade. Cada nova cadeia de restrições que Putin impõe para se proteger está cobrando um preço que ele mesmo talvez não consiga calcular claramente.

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