Recentemente tenho acompanhado a tendência do dólar, percebendo que as expectativas do mercado em relação a cortes de juros têm oscilado bastante, e por trás disso há muitas oportunidades de negociação.



Em setembro de 2024, o Federal Reserve iniciou o ciclo de cortes de juros, e teoricamente o dólar deveria enfraquecer, mas a situação real é muito mais complexa. Notei que os dados de emprego não agrícola continuam fortes, e a inflação resistente também não diminui, o que faz o mercado adiar novamente as expectativas de corte. Agora, o consenso é de uma trajetória de juros "devagar, tarde e pouco", e até algumas instituições acreditam que as taxas podem permanecer inalteradas durante todo 2026, com uma mudança de política só em 2027.

Mas há um ponto-chave: a postura hawkish atual do Fed é mais impulsionada por dados do que por um novo ciclo de alta estrutural de juros. Desde que os dados de emprego, salários e inflação núcleo comecem a desacelerar nas próximas temporadas, a postura de política monetária ainda pode voltar ao neutro ou até mesmo à política acomodatícia.

Em relação ao índice do dólar, ele atualmente oscila entre 90 e 100, tendo caído cerca de 15% desde o pico de 114 em 2022. Contudo, desde a escalada de conflitos geopolíticos, a busca por proteção aumentou a demanda pelo dólar, levando a uma leve recuperação. Minha observação é que, nos próximos doze meses, o dólar provavelmente ficará em um padrão de alta no topo, com oscilações e tendência a se enfraquecer, ao invés de uma queda acentuada unidirecional.

Muita gente julga a direção do dólar apenas com base em aumentos ou cortes de juros, mas isso é uma visão muito limitada. Os fatores que influenciam a cotação do dólar vão muito além da política de juros. Oferta de dólares, déficit comercial internacional, confiança global nos EUA — todos esses elementos desempenham papel. Especialmente com a tendência de desdolarização cada vez mais evidente, muitos países estão começando a comprar ouro e a aumentar suas reservas em outras moedas, o que gera uma pressão estrutural sobre o dólar.

Por outro lado, é importante lembrar que o dólar continua sendo a principal moeda de reserva e de liquidação financeira global. Sempre que surgem novos riscos financeiros ou conflitos geopolíticos, o fluxo de capital tende a retornar ao dólar, pois ele ainda é uma das moedas de refúgio mais importantes.

Em relação às taxas de câmbio específicas, o iene, por exemplo, saiu de um cenário de juros extremamente baixos no Japão, com o fluxo de capital impulsionando a valorização do iene. Assim, é mais provável que o iene continue se valorizando e o dólar/iene se deprecie. A previsão para o real é de valorização, mas sem grandes movimentos, pois há fatores internos a considerar. O euro, por sua vez, está relativamente mais forte que o dólar, mas a economia europeia também não está muito bem, e se o Banco Central Europeu continuar cortando juros lentamente, o dólar pode enfraquecer um pouco, mas sem uma depreciação significativa.

Para aproveitar as oportunidades de volatilidade do dólar, no curto prazo é importante acompanhar dados como o IPC, o relatório de empregos não agrícola, as reuniões do FOMC e o dot plot, que influenciam as expectativas de juros. No médio prazo, é possível usar os suportes e resistências do índice do dólar, combinando com as diferenças nas políticas dos bancos centrais ao redor do mundo, buscando oportunidades de oscilações de algumas semanas a meses. Para investidores de longo prazo, diversificar com ouro, moedas estrangeiras e outros ativos ajuda a mitigar o risco de volatilidade do dólar, especialmente quando ele está em um patamar alto de oscilações ou começando a enfraquecer, equilibrando a carteira de investimentos.

Resumindo, ao invés de esperar passivamente as oscilações do dólar, é melhor se antecipar e seguir a tendência. A tendência do dólar na segunda metade do ano deve continuar nesse ritmo de oscilações em patamares elevados, sem grandes movimentos unidirecionais no curto prazo.
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