
Uma hostile tender offer é uma estratégia de aquisição em que o adquirente contorna o conselho de administração da empresa-alvo e realiza uma oferta pública diretamente aos acionistas, propondo a compra de ações por um preço previamente definido, dentro de um prazo determinado. O objetivo central é conquistar o controle ou influência relevante sobre a empresa. É como “negociar com os filhos em vez dos pais”: quando o conselho não apoia, o adquirente apresenta aos acionistas condições que incluem preço, volume e requisitos. Uma tender offer consiste em uma proposta pública para todos ou parte dos acionistas, geralmente com valor acima do mercado para estimular a adesão.
Hostile tender offers surgem, em geral, quando o adquirente entende que a empresa está subvalorizada, identifica sinergias estratégicas relevantes ou enfrenta resistência à mudança pela gestão. O adquirente pode avaliar que uma fusão viabilizaria integração da cadeia de suprimentos, acesso a tecnologia ou redução de custos. Se o conselho resiste por razões como avaliação, autonomia ou estabilidade de funcionários e clientes, o adquirente opta por dialogar diretamente com os acionistas por meio de uma tender offer.
O processo envolve definição de preço, prazo, condições e estrutura de financiamento, tudo sujeito à divulgação pública e fiscalização regulatória. Etapa 1: O adquirente divulga os principais termos da oferta — incluindo preço, quantidade mínima ou máxima (como percentual mínimo de aceitação), prazo, condições de desistência, fontes de recursos e estrutura de custódia. Etapa 2: Os acionistas decidem, dentro do período indicado, se irão “tenderizar” suas ações — normalmente via corretoras ou custodiante — transferindo ações e recursos para contas de custódia específicas, mitigando riscos de liquidação. Etapa 3: Se o percentual mínimo de aceitação for atingido, a oferta é liquidada; se não for atingido ou houver impedimento regulatório, a oferta fracassa e as ações retornam aos acionistas. Etapa 4: O adquirente pode, simultaneamente, promover uma proxy fight, buscando votos para substituir membros do conselho e viabilizar futuras aquisições ou integrações.
A diferença fundamental entre hostile tender offers e friendly acquisitions está na postura e na via de negociação do conselho. Friendly acquisitions são negociadas entre equipes de gestão e conselhos, permitindo due diligence detalhada e flexibilidade nos termos. Hostile tender offers são unilaterais, com o adquirente determinando condições e preço. Há maior assimetria de informações e a operação se assemelha a uma disputa aberta; conselhos tendem a adotar defesas em resposta.
As principais defesas envolvem poison pills, white knights e ações relacionadas a procuração — instrumentos para conselhos protegerem os interesses dos acionistas e a autonomia da empresa. A “poison pill” é um plano de direitos dos acionistas: se alguém ultrapassar um limite de participação, os demais acionistas podem adquirir ações com desconto, diluindo a participação do adquirente e elevando o custo de aquisição. “White knight” refere-se à entrada de um terceiro mais favorável, com condições ou compromissos estratégicos superiores. O conselho pode, ainda, mobilizar acionistas em uma contra-proxy fight para manter a administração, ou recorrer a spin-offs de ativos, aumento de dividendos e recompra de ações para valorizar a companhia — tornando a oferta hostil menos atrativa.
A maior parte dos mercados exige divulgação imediata quando participações atingem certos patamares. Tender offers devem garantir tratamento equitativo aos acionistas, plena transparência sobre fontes de recursos e condições, além de proibição rigorosa de insider trading ou manipulação de mercado. Entre os marcos legais mais comuns estão: ofertas obrigatórias ou divulgações ao ultrapassar limites de participação; apresentação e análise de documentos de oferta; garantias de custódia e liquidação; períodos de espera e mecanismos de desistência; e responsabilidade por declarações enganosas. Os detalhes variam conforme a jurisdição, mas o foco é proteger acionistas minoritários e assegurar a integridade do mercado.
Hostile tender offers costumam gerar valorização de curto prazo e aumento da volatilidade das ações, com resultados distintos conforme sucesso ou fracasso da operação. Por exemplo, se as ações estão cotadas a US$10 e a oferta é de US$11,50 com percentual mínimo de aceitação, os preços tendem a se aproximar do valor ofertado após o anúncio; se a oferta for rejeitada ou bloqueada por autoridades, os preços podem recuar. Estratégias de arbitragem no curto prazo envolvem riscos de liquidação e incerteza; investidores de longo prazo devem analisar fundamentos e perspectivas pós-aquisição.
No universo Web3, o equivalente são os ataques de governança: participantes concentram compras de tokens de governança ou usam flash loans para ampliar temporariamente o poder de voto em propostas que possam prejudicar o tesouro ou o protocolo do projeto. Um flash loan em DeFi permite tomar grandes quantias emprestadas sem garantia em uma única transação — potencialmente conferindo controle temporário de votação. As defesas seguem o modelo das poison pills: elevação do quórum para propostas, implementação de timelocks ou exigência de multi-sig, ou mobilização de “white knights” da comunidade. Propostas de governança relevantes e incidentes envolvendo tokens de governança são regularmente abordados nos canais de aprendizado da Gate; traders devem acompanhar anúncios de projetos e o calendário/regras de snapshots de votação.
O investidor deve adotar uma abordagem estruturada para decidir sobre a participação, priorizando segurança dos recursos e veracidade das informações. Etapa 1: Leia os comunicados oficiais e prospectos — confira preço, prazo, percentual mínimo de aceitação, condições de desistência e estrutura de custódia. Etapa 2: Avalie o prêmio e os riscos comparando o preço da oferta com avaliações independentes; considere cenários de fracasso, rejeição regulatória ou integração pós-aquisição insatisfatória. Etapa 3: Confirme as fontes de recursos e informações de compliance do adquirente — fique atento a e-mails falsos, links de phishing ou tentativas de fraude; utilize apenas canais de custódia oficiais. Etapa 4: Observe defesas do conselho ou propostas alternativas como white knights, aumento de dividendos ou recompra de ações — avalie qual alternativa melhor sustenta o valor de longo prazo. Etapa 5: Para exposição indireta via tokenização de ativos ou produtos associados ao sentimento de M&A na Gate, confira regras do produto, limites de alavancagem e taxas — gerencie o tamanho da posição e riscos de volatilidade.
Recentemente, com o aumento dos juros e custos de financiamento, as ofertas hostis alavancadas perderam impulso; contudo, ações de acionistas ativistas e disputas continuam fortes em segmentos subvalorizados como recursos e tecnologia. Seja em ações tradicionais ou na governança Web3, temas centrais são transparência de informações, distribuição de direitos de voto e mecanismos de defesa. Ao enfrentar uma hostile tender offer, o investidor deve focar em três pontos essenciais: compreender detalhadamente os termos e a estrutura de custódia; avaliar o prêmio e a perspectiva de valor de longo prazo; identificar defesas e propostas alternativas — sempre priorizando a segurança dos recursos e a integridade das informações.
Uma tender offer é uma proposta pública feita por um adquirente diretamente aos acionistas da empresa-alvo — principal ferramenta em aquisições hostis — mas não são sinônimos. A tender offer é neutra: pode ser utilizada tanto em aquisições amigáveis quanto hostis. Hostile takeover offer refere-se, especificamente, à oferta feita sem aprovação do conselho da empresa-alvo. Em resumo: toda oferta hostil envolve tender offer, mas nem toda tender offer é hostil.
Equity acquisition corresponde à compra direta de ações da empresa-alvo para alcançar o controle — adquirentes hostis geralmente utilizam tender offers para adquirir ações de investidores de varejo. Asset acquisition é a compra de ativos específicos, e não da totalidade da empresa. Em operações hostis, equity acquisition é mais comum por conceder controle direto; asset acquisition exige negociações individualizadas e, por isso, é menos utilizada por adquirentes hostis.
Há risco de demissão após uma aquisição hostil, mas não é regra. O adquirente geralmente busca ativos, participação de mercado ou tecnologia — pode manter equipes estratégicas, mas eliminar áreas redundantes ou funções sobrepostas para aumentar a rentabilidade. Funcionários devem acompanhar a situação financeira e as assembleias, além de consultar RH ou assessoria jurídica sobre garantias contratuais, se necessário.
Como os conselhos não colaboram em aquisições hostis, adquirentes precisam contorná-los e fazer tender offers diretamente aos acionistas de varejo para obter o controle. Os investidores de varejo detêm o poder de voto — sua decisão de aceitar ou rejeitar define o sucesso da operação. Por isso, são o alvo principal de campanhas de mídia e comunicados públicos dos adquirentes.
O índice de sucesso varia, mas empresas modernas frequentemente adotam estratégias defensivas. Entre as principais estão poison pills (aumentando o custo de aquisição), white knights (entrada de terceiros com ofertas mais favoráveis), golden parachutes (indenizações para executivos), entre outras — todas para dificultar o êxito da operação hostil. Contudo, se a proposta do adquirente for suficientemente atrativa ou as defesas forem frágeis, a aquisição hostil pode ocorrer — por isso, conselhos precisam engajar ativamente os acionistas de varejo em busca de apoio.


