Aviso de Pierre Rochard sobre a lacuna do Bitcoin na revisão do Basel III
O CEO Pierre Rochard da Bitcoin Bond Company alertou que as autoridades dos EUA não podem decidir em silêncio como os bancos deverão tratar o Bitcoin durante a alteração do Basel III, sem divulgar de forma clara a base legal e os dados que a sustentam.
De acordo com Rochard, se o novo quadro regulamentar não explicar de forma transparente como classificar e aplicar o risco a ativos digitais, especialmente o Bitcoin, os bancos terão de enfrentar ambiguidade operacional e de conformidade. Ele afirma que este é um problema que não se limita à técnica de gestão de capital, mas que afeta diretamente a capacidade das instituições financeiras de participar no mercado de moedas digitais.
O Basel III há muito tempo que é um conjunto de referência utilizado por bancos em todo o mundo para avaliar o nível de segurança de capital. No entanto, à medida que o Bitcoin e outros ativos digitais aparecem cada vez mais nas demonstrações da posição financeira das instituições financeiras, a forma como os reguladores definem, medem e aplicam o coeficiente de risco a estes ativos está a tornar-se um tema controverso.
Rochard sublinhou que uma mudança tão impactante não pode ser feita de forma “subentendida”. Segundo ele, se as autoridades reguladoras quiserem ajustar a forma como os bancos abordam o Bitcoin, precisam de apresentar claramente os critérios de avaliação, as evidências empíricas e os motivos por detrás de cada nova exigência.
Ele alertou que a falta de transparência pode criar um precedente negativo, levando as instituições financeiras a adivinhar as suas obrigações de conformidade. Isto não só aumenta os custos legais, como também pode travar o desenvolvimento de produtos financeiros relacionados com o Bitcoin nos EUA.
Num contexto em que muitos bancos tradicionais começam a interessar-se mais pelos ativos digitais, a forma como os reguladores definem o quadro de risco para o Bitcoin terá impacto direto no nível de aceitação por parte do setor. Se as exigências de capital forem apertadas de forma excessiva, os bancos poderão ficar mais cautelosos ao disponibilizar serviços relacionados com moeda digital.
Por outro lado, um quadro regulamentar claro e com base adequada ajudará as instituições financeiras a orientarem-se melhor, reduzindo assim a incerteza para o mercado. É por isso que Rochard considera que a revisão do Basel III deve ser divulgada de forma transparente, em vez de deixar uma lacuna que faça com que o mercado se auto-interprete.
Os analistas consideram que as decisões das autoridades dos EUA não afetam apenas os bancos no país, mas também podem gerar um efeito de arrasto no mercado global. Se os EUA estabelecerem padrões demasiado rigorosos, outros países poderão servir-se disso como referência ou aplicar algo semelhante.
Entretanto, a comunidade que apoia o Bitcoin espera que os responsáveis políticos construam um quadro legal mais equilibrado, garantindo tanto a segurança do sistema como sem sufocar a inovação financeira. O debate sobre o Basel III está, assim, a tornar-se um novo foco de tensão na história da regulação de ativos digitais.
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