Trump publicou uma mensagem de raiva a criticar o Reino Unido e a França por ficarem de braços cruzados no conflito entre os EUA e o Irã, exigindo que eles resolvam a crise do petróleo por conta própria. Especialistas analisam que essa iniciativa de Trump visa criar uma narrativa de vitória; sua alegação de retirar as tropas em duas ou três semanas dificilmente se concretizará. Apelam para que o conflito seja encerrado rapidamente por meio de negociações.
Após vários dias de ações militares conjuntas entre os EUA e Israel contra o Irã, Trump voltou a atacar, em uma publicação na sua plataforma de redes sociais, Truth Social, criticando o Reino Unido e outros países por observarem o combate.
Ele disse: “Todos aqueles países que não conseguem obter combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido — que se recusa a participar na operação de decapitação do Irã —, tenho uma sugestão para vocês: primeiro, comprem dos EUA; temos muitos. Segundo, mostrem sua coragem tardia e vão até o estreito para tomá-lo diretamente.”
E acrescentou: “Vocês precisam aprender a lutar por si mesmos; os EUA não vão mais ajudar vocês, assim como vocês não ajudaram a gente. O Irã, basicamente, já foi destruído; a parte mais difícil já foi feita. Vão buscar seu próprio petróleo!”
Fonte da imagem: Truth Social Trump critica o Reino Unido por assistir ao fogo, dizendo que o petróleo é dele
Embora o principal seja a ação militar conjunta entre os EUA e Israel contra o Irã, oThe Independent afirma que o Reino Unido também planeja enviar tropas adicionais para a região do Oriente Médio, elevando o número de soldados britânicos na área para cerca de 1.000 pessoas.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, recentemente visitou a Arábia Saudita, o Qatar e o Bahrein, países que sofreram retaliações do Irã. Ele afirmou que o Reino Unido está protegendo ativamente seus aliados na região e destacou que os líderes dos países do Golfo dão alta prioridade à ajuda defensiva britânica.
Ao mesmo tempo, vários países estão empenhados em garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Atualmente, o Irã já implementou um bloqueio efetivo ao canal, levando a um aumento nos preços globais de energia. O Irã estabeleceu um sistema de “postos de cobrança” nas águas, pelo qual alguns navios precisam pagar até 2 milhões de dólares por viagem.
Depois de criticar o Reino Unido, Trump publicou novamente uma mensagem criticando a França por não ajudar, especialmente por se recusar a permitir que aviões carregados de material militar se dirijam a Israel, além de sobrevoar o espaço aéreo francês.
Fonte da imagem: Truth Social Trump critica a França por se recusar a autorizar passagem
O gabinete do presidente francês, Macron, respondeu, dizendo que a posição da França já foi muito clara desde o primeiro dia do conflito entre os EUA e o Irã; por exemplo, que não autorizará o uso de bases francesas para atacar o Irã.
Um especialista do Quincy Institute, Trita Parsi, analisou e afirmou que quando Trump diz que os EUA pretendem reabrir o Estreito de Ormuz, isso não é, na verdade, o objetivo dos EUA, mas uma tentativa de criar uma narrativa de vitória. Ele também expressou frustração com a relutância dos países europeus em ajudar.
Parsi questiona: “Se os próprios EUA, com seus vastos recursos de defesa, não conseguem fazer isso, que mudanças os países europeus, como a França, podem trazer ao intervir?” E espera que o Irã continue controlando o Estreito de Ormuz.
Trump tinha afirmado anteriormente que o Irã estava implorando por um acordo, mas, após uma entrevista à imprensa na Casa Branca, mudou de discurso, dizendo que o Irã não precisa de um acordo; os EUA sairão rapidamente, possivelmente em duas ou três semanas.
Sobre essa afirmação, Parsi disse que o público deve ser cauteloso. O conflito já se espalhou por toda a região, causando a morte de milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Assim, é difícil imaginar que Trump consiga se afastar facilmente.
Ele apontou que a melhor estratégia de Trump seria encerrar rapidamente o conflito por meio de negociações substanciais; continuar adotando medidas duras atuais não ajudaria. Caso contrário, após três semanas, é muito provável que o que o público ouça seja que os EUA precisarão esperar mais três semanas para finalmente acabar com a ação militar.