Bradley Kent Garlinghouse muda de estratégia: XRP e Bitcoin não são inimigos

Um gesto surpreendente marcou um ponto de viragem nas tensões históricas entre as comunidades Ripple e Bitcoin. Durante a conferência XRP Las Vegas 2025, o CEO da Ripple Labs Bradley Kent Garlinghouse surpreendeu muitos ao afirmar que “Bitcoin não é o inimigo”. Durante anos, o líder da Ripple criticou duramente os defeitos da rede Bitcoin, desde o consumo energético até o modelo de mineração proof-of-work. Agora, a mudança de tom levanta questões: trata-se de uma busca genuína por unidade no setor cripto, ou de uma manobra tática para construir alianças diante da pressão regulatória?

O presente simbólico: quando a diplomacia encontra o ceticismo

Poucos dias antes do início da conferência, Bradley Kent Garlinghouse entregou o Teschio de Satoshi à comunidade Bitcoin, um gesto que gerou reações contrastantes. Os apoiantes do XRP interpretaram a ação como um sinal de maturidade: a Ripple abandona disputas passadas e se posiciona como um unificador do ecossistema. No entanto, outros viram fraqueza na escolha, como se a Ripple admitisse a superioridade do Bitcoin após uma batalha de uma década.

Entre os maximalistas de Bitcoin, o presente alimentou narrativas opostas. Alguns o acolheram como reconhecimento da supremacia do Bitcoin. Outros comentaram ironicamente, com um usuário escrevendo: “Ripple tentou substituir o Bitcoin por 10 anos. Agora nos oferece crânios como se estivéssemos na Roma Antiga”. Um outro tweet viral dizia: “Quando perdes a guerra, pelo menos leva um presente”.

Dentro da comunidade XRP, por sua vez, o consenso estava fragmentado. Os leais viram o gesto como uma jogada estratégica para maior credibilidade, enquanto os críticos temiam que a Ripple estivesse abandonando sua identidade distintiva.

Década de conflito: tecnologia, visão e ideologias opostas

A ruptura entre apoiantes da Ripple e do Bitcoin remonta a mais de dez anos de desacordo fundamental sobre o que torna uma criptomoeda válida. A comunidade XRP historicamente sustentou que o Bitcoin permanece ineficiente: o proof-of-work consome enormes quantidades de energia, a rede processa menos transações por segundo do que o XRP, e o sistema é inadequado para aplicações financeiras reais.

Bradley Kent Garlinghouse nunca poupou críticas ao modelo de mineração, descrevendo o sistema Bitcoin como obsoleto e ecologicamente prejudicial. Por parte da Ripple, a narrativa era clara: o XRP oferece velocidade, escalabilidade e eficiência energética, características essenciais para construir infraestruturas financeiras descentralizadas, mas funcionais.

A contraparte Bitcoin manteve uma posição igualmente firme. Os maximalistas acusam o XRP de centralização, controlado pela Ripple Labs e estruturado para servir instituições bancárias ao invés de empoderar indivíduos. O XRP é definido como “a moeda do banqueiro”, uma contradição aos princípios originais das criptomoedas: eliminar intermediários, não colaborar com eles. A disputa de vinte anos com a SEC é apontada como mais uma prova de que o XRP carece dos fundamentos de um ativo verdadeiramente descentralizado.

Uma estratégia calculada em tempos de escrutínio regulatório

A mudança de narrativa de Bradley Kent Garlinghouse não surge do nada. Com governos e reguladores financeiros intensificando o controle sobre ativos digitais, construir alianças entre comunidades torna-se estratégico. A Ripple pode estar se preparando para discussões futuras com instituições financeiras e agências governamentais que exigem sinais de estabilidade, profissionalismo e coesão setorial.

No entanto, essa estratégia traz riscos significativos. Os críticos argumentam que Garlinghouse pode estar estendendo a mão que o Bitcoin não aceitará, transformando o gesto em um sinal de fraqueza ao invés de força. O maior risco, porém, reside dentro da própria Ripple.

Durante anos, a marca Ripple construiu sua singularidade em torno do posicionamento do XRP como uma alternativa superior ao Bitcoin: mais eficiente, mais escalável, a custos menores. Os apoiantes fiéis do XRP sempre se opuseram àqueles que consideravam os defeitos fundamentais do Bitcoin. Agora, a nova mensagem de Bradley Kent Garlinghouse confunde as fronteiras entre rival e parceiro.

Um número crescente de fãs do XRP percebe que a empresa está gradualmente se afastando dos princípios que a tornaram única. Aqueles que antes acreditavam que o XRP superaria ou substituiria o Bitcoin agora questionam se os objetivos mudaram. Existe o risco concreto de a Ripple perder seu núcleo de apoiantes leais na tentativa de agradar ambos os lados, diluindo a mensagem e confundindo a base.

O que vem a seguir?

O discurso de Bradley Kent Garlinghouse marca um ponto de inflexão na narrativa do setor. Se o objetivo é genuinamente unir o ecossistema cripto diante de regulações rigorosas, a jogada representa uma visão corajosa. Se, por outro lado, for uma estratégia política, pode se revelar um erro que desagrada tanto os maximalistas de Bitcoin quanto os apoiantes mais fiéis do XRP, deixando a Ripple suspensa entre dois mundos, sem pertencer completamente a nenhum deles.

#BTC #SEC #XRP

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