A realidade das promoções pagas de influenciadores que vazaram veio à tona, com mais de 95% a enganar investidores sem divulgação adequada

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Geração do resumo em andamento

Uma grande escândalo está a acontecer no mercado de criptomoedas. Uma lista de preços de promoções pagas envolvendo mais de 200 influenciadores foi divulgada, revelando a verdadeira natureza das campanhas de promoção de projetos de ativos digitais. O mais chocante é que mais de 160 contas aceitaram contratos pagos, mas mais de 95% delas não divulgaram que o conteúdo era patrocinado. Muitos desses influenciadores fingiram que as suas publicações eram orgânicas, enquanto na verdade recebiam recompensas por promoverem produtos ou projetos.

Este problema evidencia uma questão fundamental de falta de transparência e confiança no setor de ativos digitais. Autoridades reguladoras e especialistas do setor clamam por uma implementação e fiscalização mais rigorosas de regras de divulgação.

Lista de preços de mais de 200 influenciadores vazada, revelando sistema de remuneração

Um documento vazado, compartilhado pelo investigador on-chain ZachXBT no início de setembro de 2025, continha uma lista de preços de mais de 200 influenciadores de criptomoedas. A lista detalhava quanto cada influenciador cobrava por publicações ou campanhas, suas preferências de pagamento e até endereços de carteiras para recebimento.

O sistema de remuneração era surpreendentemente variado. Influenciadores de topo exigiam até 20.000 dólares por publicação, enquanto contas de médio e pequeno porte cobravam cerca de 500 dólares por tweet. Havia também propostas de descontos para pacotes de várias publicações ou vídeos, indicando que práticas comerciais padrão do setor de marketing também estão presentes no mercado de criptomoedas.

O que mais chamou atenção foi a violação generalizada das regras de divulgação. Segundo análise de ZachXBT, menos de cinco contas entre as mais de 160 que tinham preços listados divulgaram claramente que suas publicações eram patrocinadas. Ou seja, a maioria esmagadora dos influenciadores ocultava que estavam promovendo algo mediante pagamento, apresentando as publicações como normais.

Attity admite contrato pago de 60.000 dólares e explica falhas na divulgação

Entre os influenciadores listados, um dos mais destacados foi Attity. Ficou claro que ele recebeu uma das maiores remunerações, com um valor de 60.000 dólares registrado junto de um endereço de carteira Solana, tornando-se um dos influenciadores mais bem pagos do setor.

Logo após a divulgação, Attity emitiu uma declaração admitindo ter recebido os 60.000 dólares. No entanto, afirmou que esse valor não correspondia a uma única publicação. Segundo ele, tratava-se de um contrato abrangente para atividades de marketing em toda a plataforma ao longo de várias semanas.

De acordo com Attity, a relação com o cliente começou com tarefas simples de marketing. Depois, aumentaram os pedidos de threads, memes e comentários na plataforma, até que, na fase de pré-venda, foi solicitado que ele fizesse publicações de promoção. Ele reconhece que deveria ter divulgado o pagamento nesse momento.

Attity afirmou que o cliente lhe instruiu a manter um estilo de publicação “orgânico” e destacou que não tinha intenção de prejudicar seguidores. Por outro lado, pediu desculpas pela falta de transparência. Uma questão interessante é que, após a pré-venda fracassar, ele alegou ter sofrido pressão do cliente. Disse que nunca esteve envolvido em rug pulls ou fraudes, criticando as violações de regras de divulgação, mas negando envolvimento em crimes mais graves.

Problemas estruturais na economia de influenciadores de criptomoedas, alertam reguladores

Este incidente é apenas uma parte de um problema mais amplo na indústria. No mercado de criptomoedas, muitas promoções lideradas por influenciadores são feitas de forma sistemática e não transparente. Os endereços de carteiras vazados sugerem que fundos são enviados diretamente para contas sem contratos formais ou supervisão legal.

Nesse ambiente, os mecanismos de responsabilização são extremamente limitados. Como as regras de divulgação são frequentemente ignoradas, investidores comuns têm dificuldade em distinguir se uma recomendação é espontânea ou paga.

Casos semelhantes já ocorreram antes. No início de 2025, a meme coin CR7, imitando Cristiano Ronaldo, atingiu um valor de mercado de 1,43 bilhões de dólares antes de colapsar rapidamente. Influenciadores que promoveram esse token apagaram suas publicações e eliminaram vestígios de envolvimento. Outro exemplo foi o caso do presidente argentino Javier Milei, que promoveu o token $LIBRA, gerando reações políticas e suspeitas de fraude posteriormente.

A Federal Trade Commission (FTC) e a Advertising Standards Authority (ASA) obrigam legalmente a divulgação clara de conteúdo patrocinado. No entanto, no mercado de criptomoedas, essas diretrizes são frequentemente ignoradas de forma organizada. As autoridades reforçam que qualquer promoção sem divulgação adequada, sob o pretexto de marketing, viola as regras e pode enganar investidores.

A lista de influenciadores vazada revelou como esse negócio funciona de forma sistemática. Especialistas do setor alertam que é imprescindível reforçar a fiscalização e a aplicação de regras de divulgação mais rigorosas. Para proteger pequenos investidores e manter a saúde do mercado, é urgente reformular os padrões de publicidade no setor de ativos digitais.

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