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Como projetar um sistema que permita que os cidadãos lutem uns contra os outros? Que cumpra funções de gestão, arrecade impostos e acumule riqueza. Na história, já houve quem desse uma resposta. Durante a dinastia Ming, na época de Zhu Yuanzhang, aconteceu uma história assim: havia um funcionário de arrecadação chamado Liu Qingfu, que extorquia os habitantes locais, cobrando dinheiro para comprar bois, construir casas, vender varas de pesca, e assim por diante. A situação chegou ao conhecimento do imperador, Zhu Yuanzhang, que ficou furioso e ordenou que ele fosse executado por empala, incluindo os familiares. Aparentemente, trata-se de uma história de um imperador sábio que pune corruptos e faz justiça ao povo. Mas o problema é que esses funcionários de arrecadação não recebiam salário, eram obrigados pelo governo a serem escolhidos entre os ricos, para arrecadar impostos sem remuneração; se não conseguissem arrecadar, tinham que usar seus próprios bens para compensar, e os superiores ainda exigiam subornos em camadas. Sob esse sistema, eles tinham duas opções: falir ou atacar os cidadãos, quase sem terceira alternativa. A genialidade desse sistema não está na moralidade, mas na exploração da natureza humana: o Estado transfere riscos e custos para a sociedade, fazendo com que o povo se fiscalize e se oprimam mutuamente, enquanto o poder imperial aparece apenas na forma de “punir os maus”, mantendo a ordem e reforçando sua legitimidade. Assim, os cidadãos odeiam os arrecadadores ao seu lado, e não o sistema ou seus criadores, essa é a lógica mais profunda do funcionamento desse modo de governar.