Já ouviu falar de um caso tão interessante? Existe um pedaço de terra entre a Croácia e a Sérvia, e as pessoas lá decidiram criar o seu próprio Estado. Aliás, não um Estado qualquer, mas um país que funciona com blockchain e bitcoin. LibereLland — é assim que se chama. Parece ficção, mas isso está a acontecer de verdade há já vários anos.



O que me surpreendeu foi isto: o território tem apenas sete quilómetros quadrados, nenhum dos vizinhos reconhece aquilo como Estado, mas os rapazes não desistem. Recentemente, realizaram as primeiras eleições para o congresso com recurso a um sistema de votação algorítmica em blockchain. E a quem é que eles escolheram? Justin Sun, fundador da TRON, para o cargo de primeiro-ministro interino. O rapaz é conhecido pelo seu trabalho como embaixador de Гренады na VТО, por isso tem experiência em diplomacia.

A economia lá é mesmo muito incomum. A LibereLland mantém 99 por cento das suas reservas em bitcoine. Isto é genial ou insano, dependendo de como se olha. O governo converte todas as receitas provenientes da venda de passaportes, selos e moedas diretamente em BTC. Cerca de mil cidadãos registados, mas na prática vivem lá apenas alguns. A maior parte do território é uma área de várzea sem infraestruturas. Os cuidados de saúde, a educação, os serviços básicos — tudo isso ainda está em fase de desenvolvimento.

Mas há um problema: sem reconhecimento internacional, tudo parece um experimento bonito que pode desmoronar a qualquer momento. A Croácia chega a deter pessoas que tentam estabelecer-se lá. A Sérvia tem uma atitude pelo menos tão hostil. O único apoio veio do presidente de Аргентины, Хавьера Милея, que apoia abertamente ideias libertárias. A LibereLland também está a observar Сальвадору e Сомалиленду, mas isso também não garante reconhecimento.

O isolamento diplomático — este é o principal desafio. Sem um estatuto oficial, a LibereLland não pode aderir a organizações internacionais, nem assinar tratados como um país normal. E se a Croácia ou a Sérvia quiserem simplesmente tomar este território para controlo, ninguém poderá impedir. A geopolítica dos Balcãs nunca foi simples, e qualquer passo em falso pode despoletar um conflito sério.

No fim, acaba por surgir um paradoxo interessante: a LibereLland mostra como poderia ser uma república libertária ideal — um Estado com o mínimo necessário, sem impostos, tudo em blockchain. Mas os sonhos de descentralização não resolvem o problema do reconhecimento e da infraestrutura real. É mais um experimento filosófico do que um Estado viável. Por enquanto, pelo menos.
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