A proposta da Nasdaq para negociar algumas ações em forma tokenizada recebeu aprovação formal da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) na quarta-feira, embora a estrutura ainda mantenha as negociações e liquidações dentro das plataformas tradicionais do mercado. Abrangendo alguns títulos já listados na bolsa nacional de valores, as mudanças começariam com ações do Russell 1000 e certos ETFs de índice, sendo que as ações tokenizadas devem corresponder às suas contrapartes tradicionais em direitos, símbolos e prioridade de negociação. Tokenização é o processo de transformar um ativo tradicional, como uma ação ou ETF, em um ativo digital na blockchain, vinculado ao valor original que possui os mesmos direitos.
Corretoras participantes podem marcar uma ordem para liquidação tokenizada ao inseri-la, e a Nasdaq enviaria essa instrução ao Depository Trust Company após a execução da negociação, informou a SEC. Se o DTC não puder atender à solicitação devido à inadmissibilidade da corretora ou do título, ou por incompatibilidade da blockchain ou carteira digital, a negociação será liquidada na forma tradicional, não tokenizada. A Decrypt entrou em contato com a Nasdaq para comentar quando a negociação tokenizada poderia começar e o que ainda precisa estar em vigor antes do lançamento. Mesmas plataformas, nova estrutura A Nasdaq apresentou sua proposta em setembro do ano passado, comparando a tokenização a inovações anteriores do mercado, como a decimalização e a electronificação.
Na época, a bolsa argumentou que as estruturas regulatórias existentes, “impostas pelo Congresso”, já se aplicam aos títulos tokenizados, independentemente de suas propriedades na blockchain. A SEC reconheceu, em sua carta de aprovação, que durante o processo de revisão, vários comentadores levantaram questões sobre como o modelo de tokenização da Nasdaq funcionaria. A SIFMA, principal grupo de comércio da indústria de valores mobiliários dos EUA, e a Cboe Global Markets, uma das maiores operadoras de bolsas dos EUA, focaram na falta de clareza sobre o papel do DTC. A Digital Chamber, grupo de política e defesa de blockchain, argumentou que a SEC deveria evitar favorecer empresas ou tecnologias específicas e dar mais poder aos emissores. A Better Markets, organização sem fins lucrativos focada em reforma financeira, opôs-se à proposta devido a possíveis lacunas de preço, preocupações com vigilância e incertezas legais. Até o final de novembro, grandes bolsas e grupos de mercado solicitaram à SEC que evitasse isenções amplas para títulos tokenizados, alertando que uma flexibilização excessiva poderia criar regras desiguais e novos riscos para ações tokenizadas. A aprovação da SEC para a Nasdaq ocorre num momento em que reguladores e bolsas adotam uma abordagem mais estruturada e coordenada em relação à tokenização, embora os limites estabelecidos para a Nasdaq sugiram que, pelo menos por enquanto, essas operações só possam ser feitas pelo sistema existente, e não por uma plataforma separada na cadeia. No início deste ano, funcionários da SEC afirmaram que ativos tokenizados são, primeiro, valores mobiliários, e, em segundo, tecnologia, reafirmando sua posição de que colocar um valor mobiliário na blockchain não altera sua classificação legal sob a lei federal.
Abrindo portas A aprovação é importante porque “começa a tornar as ações listadas mais programáveis, não apenas mais digitais”, disse Steven Wu, diretor de operações da plataforma de tokenização Clearpool, ao Decrypt. “A SEC está abrindo a porta para que esses ativos avancem além da negociação e entrem em usos financeiros mais amplos”, afirmou Wu. As mudanças trazem “flexibilidade na camada de infraestrutura sem prejudicar o funcionamento atual dos mercados”, observou, apontando para uma mudança de longo prazo rumo a liquidação mais rápida e, eventualmente, mercados que possam operar mais próximos do tempo real. “A tokenização de ações aponta para um modelo onde a descoberta de preços não fica mais limitada pelo horário tradicional de mercado”, disse ele. Para os players institucionais, a aprovação da SEC “cria mais flexibilidade ao nível do ativo”, disse Samar Sen, chefe de mercados internacionais na Talos, empresa de ativos digitais institucionais, ao Decrypt. “Instituições vão observar de perto como os títulos tokenizados se encaixam na infraestrutura pós-negociação, especialmente onde a liquidação ainda passa por sistemas de compensação e liquidação centralizados, e se a liquidez se desenvolve de forma consistente em ambos os formatos”, acrescentou.