Conflito no Médio Oriente impacta o Estreito de Hormuz, ouro cai sete dias consecutivos, Bitcoin recua para 69.000 dólares. UE e Japão emitem declaração a defender rotas; instalações de gás natural do Qatar são atacadas, especialistas alertam para possível aumento prolongado dos preços globais.
À medida que o conflito no Médio Oriente afeta o Estreito de Hormuz e os preços internacionais do petróleo sobem, e o Federal Reserve pausa os cortes de juros, o ouro caiu sete dias seguidos, atingindo os níveis mais baixos desde início de fevereiro, tanto ouro quanto prata.
Durante o dia, o ouro chegou a cair 6%, a prata mais de 13%. Dados da BBC também indicam que, desde o início do conflito entre os EUA e Israel contra o Irão, o tráfego diário de navios pelo Estreito de Hormuz reduziu-se em 95%.
A obstrução de rotas comerciais importantes aumentou o pânico no mercado, forçando investidores a vender metais preciosos por dinheiro e a procurar ativos que possam beneficiar do aumento dos preços de energia.
No entanto, segundo dados da CNBC, o preço à vista do ouro caiu abaixo de 4.600 dólares, mas recuperou-se, atualmente situando-se em 4.680,99 dólares, com uma subida de 0,70% no dia.
A tensão no Médio Oriente e os ataques às infraestruturas energéticas abalaram os mercados globais. Segundo a CoinDesk, o Bitcoin ($BTC) atingiu brevemente os 75.000 dólares, mas caiu rapidamente para 69.000 dólares nas últimas 24 horas, embora ainda tenha um desempenho melhor do que muitos ativos tradicionais (ações, ouro).
Bryan Tan, trader da market maker Wintermute, afirmou que, desde a guerra do Irão, o Bitcoin tem tido um desempenho superior ao do ouro, mas a falta de continuidade na subida acima de 75.000 dólares indica que os investidores devem manter cautela ao comprar na baixa.
Ele recomenda que o mercado preserve liquidez durante períodos de forte volatilidade de notícias, evitando entradas impulsivas.
Para responder ao impasse do bloqueio do Estreito de Hormuz, cinco países europeus e o Japão emitiram uma declaração conjunta.
Segundo a Al Jazeera, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão comprometeram-se a tomar medidas adequadas para garantir a passagem segura de navios pelo Estreito de Hormuz, visando aliviar o impacto do aumento dos preços de energia.
Ao mesmo tempo, a QatarEnergy confirmou que a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, localizada na cidade industrial de Ras Laffan, foi alvo de ataque de mísseis. A instalação responde por 20% do fornecimento global, e a sua reparação deverá levar de três a cinco anos, agravando ainda mais a tensão no mercado de energia.
Sobre a atual crise energética, James Meadway, co-diretor do think tank Verdant Economics, afirmou à Al Jazeera que o aumento dos preços do petróleo e gás não será apenas uma flutuação temporária.
Ele destacou que, além do bloqueio do Estreito de Hormuz, o mundo enfrenta uma destruição grave na produção de petróleo e gás natural.
Meadway acrescenta que, dadas as circunstâncias atuais, é evidente que os preços de energia irão subir a longo prazo. Com o aumento significativo dos preços do gás na Europa, a preocupação internacional com rupturas na cadeia de abastecimento e inflação intensifica-se.
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