Gate News informa que, em 24 de março, o rendimento dos títulos do governo japonês a 10 anos disparou para 2,32%, atingindo o nível mais alto desde 1999, enquanto o rendimento dos títulos a 5 anos subiu para 1,72%, indicando que o sistema financeiro do Japão enfrenta pressões estruturais. Devido ao aumento dos preços de energia causado pela guerra no Irã, o petróleo Brent ultrapassou US$113 por barril, e como o Japão depende altamente de importações de energia, isso agravou os riscos de inflação e de aperto na política monetária.
Embora o Banco do Japão tenha mantido as taxas de juros inalteradas, deixou entender que pode adotar uma postura hawkish, com o mercado prevendo uma probabilidade de 60% de aumento de juros em abril. Companhias de seguros, fundos de pensão e bancos, que anteriormente construíram carteiras de investimento baseadas em taxas zero, enfrentam perdas não realizadas; as seguradoras de vida relataram perdas não realizadas em títulos do governo de até 60 bilhões de dólares. O analista Ganesh Kompella destacou que o problema não está nas taxas de juros em si, mas no impacto sistêmico causado pela reprecificação de produtos derivados e ativos downstream.
O Japão detém cerca de US$1,2 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA, e o aumento dos rendimentos eleva o custo de capital global, podendo afetar ativos de risco, incluindo ações, títulos de mercados emergentes e Bitcoin. A Morgan Stanley estima que aproximadamente US$500 bilhões em posições de arbitragem em ienes enfrentam risco de liquidação; uma saída acelerada poderia desencadear vendas forçadas nos mercados globais. A taxa de câmbio do dólar frente ao iene se aproxima de 160, e as autoridades financeiras japonesas já alertaram estar preparadas para possíveis volatilidades cambiais.
Precedentes históricos mostram que o aumento dos rendimentos e os choques de energia já causaram uma evaporação de valor de mercado de criptomoedas a curto prazo, e o mercado enfrenta pressões semelhantes a uma armadilha de estagflação. Os investidores devem monitorar de perto as mudanças nos rendimentos dos títulos japoneses e os movimentos nos preços de energia, pois esses fatores afetarão diretamente a preferência por risco e a liquidez nos mercados financeiros globais.