Autor: Anthony J. Pompliano, fundador e CEO da Professional Capital Management; Tradução: Shaw 金色财经
O ouro, os títulos e o Bitcoin estão refletindo a verdadeira tendência atual dos mercados financeiros. Recentemente, vimos o preço do ouro despencar para 4100 dólares por onça, os preços dos títulos continuarem a subir, enquanto o Bitcoin já aumentou cerca de 8% desde o início do conflito.
Mas por que tudo isso está acontecendo? Essas três classes de ativos estão nos dando pistas sobre qual será o futuro?
Podemos começar pelos títulos. Há anos, bilhões de dólares têm fluído para o mercado de títulos do governo dos EUA. Os títulos americanos, com alta liquidez, risco de crédito quase zero, retorno previsível e benefícios fiscais a nível estadual e local, são altamente atrativos para os investidores. Normalmente, em períodos de maior incerteza, a demanda por refúgio aumenta, elevando os preços dos títulos e pressionando suas taxas de retorno para baixo.
Essa demanda surge do desejo dos investidores de evitar perdas significativas em ações e títulos corporativos. O governo dos EUA é amplamente visto como a última linha de defesa do mercado financeiro, por isso os títulos são considerados os ativos de menor risco.
Porém, durante o conflito com o Irã, o mercado se comportou exatamente ao contrário: as taxas dos títulos subiram, seus preços caíram. A razão foi o aumento expressivo do preço do petróleo, trazendo o risco clássico de estagflação. O risco de estagflação impede o Federal Reserve de cortar juros, e as preocupações com a inflação voltaram à tona. Essas preocupações mudaram a lógica de decisão dos investidores, que deixaram de impulsionar os preços dos títulos e reduzir suas taxas de retorno.
Desde 28 de fevereiro, os títulos do governo dos EUA têm sido um dos piores desempenhos entre os principais ativos, contrariando toda a lógica de mercado.
Mas e se por trás dessa performance anormal do mercado de títulos houver uma ameaça extrema e rara? E se comprar títulos americanos pudesse atrair ataques de mísseis?
Isso não é uma hipótese. Na noite passada, o presidente do parlamento iraniano publicou um tweet extremamente contundente:
“Todos os entes financeiros que financiam o orçamento militar dos EUA, exceto bases militares, são alvos legítimos de ataque. Os títulos do governo dos EUA estão manchados com o sangue do povo iraniano. Comprar esses títulos é como convidar ataques contra suas sedes e ativos.
Estamos monitorando suas carteiras de investimento. Essa é uma última advertência.”
Quão grave é essa ameaça? Não posso afirmar. Mas a possibilidade de instituições financeiras se tornarem alvos de países em conflito direto com os EUA já é preocupante. Essa declaração provavelmente não assustará os investidores a venderem títulos americanos, mas já houve casos mais bizarros na história.
Essa ameaça recente é mais uma evidência da estratégia do Irã diante do conflito atual. Eles continuam lançando mísseis e drones contra bases americanas e instalações energéticas de países vizinhos no Oriente Médio, bloqueando o Estreito de Hormuz e atacando navios que tentam atravessá-lo. E, neste fim de semana, ameaçaram cortar os cabos de internet submarinos na região.
Essa estratégia me faz lembrar de um antigo post no Reddit, que explica por que nunca se deve confrontar pessoas irracionais: “Nunca discuta ou entre em conflito com alguém imprevisível, instável ou irracional. Essas pessoas geralmente não têm limites, usam métodos ‘desonestos’ para te puxar para o mesmo nível, e você sempre sai perdendo. O perigo delas é justamente a imprevisibilidade e a coragem de agir sem medo.”
Essa imprevisibilidade, aliada à intenção de causar o máximo de destruição, coloca os EUA numa situação incomum. Podem parar de bombardear o país e declarar vitória a qualquer momento, mas não há garantia de que o Irã vá parar de atacar seus vizinhos ou de desenvolver armas nucleares.
Em tempos de maior incerteza, o ouro normalmente subiria rápido. Os investidores buscam ativos de refúgio e tentam se proteger contra a desvalorização monetária provocada pela guerra. Mas, nesta crise, o cenário é diferente.
O preço do ouro caiu cerca de 13% desde o início do conflito. Alguns atribuem essa venda à possibilidade de o Federal Reserve aumentar as taxas de juros, mas discordo. Acredito que o real motivo seja uma crise de liquidez enfrentada por indivíduos, instituições e países do Oriente, que compraram ouro em grande quantidade nos últimos dois anos.
Esses grupos, ao fortalecerem suas posições em ouro, podem estar agora vendendo para obter liquidez, especialmente com o dólar forte, como uma forma de levantar dinheiro rapidamente.
E isso nos leva ao Bitcoin. Essa criptomoeda emergiu como uma das grandes vencedoras nesta crise, muitas vezes ignorada. Dados do Ash Crypto mostram: “Desde o início do conflito entre EUA e Irã, o Bitcoin subiu 34% em relação ao ouro.”
Por trás dessa performance forte, há vários fatores, mas acredito sinceramente que o mundo está começando a perceber o potencial do Bitcoin como um ativo descentralizado, sem soberania, que pode ser transferido globalmente em segundos. Em um futuro próximo, uma reserva de valor que não dependa de transporte aéreo será extremamente atraente.
Portanto, antes do fim desta guerra, minha previsão é: o preço do petróleo continuará a subir, os títulos e o ouro seguirão sob pressão, e o Bitcoin terá desempenho superior às demais reservas de valor. Talvez essa não seja a expectativa antes do conflito, mas a realidade já é essa. A teoria da escola de economia não consegue alterar o mercado real.
Lembre-se: Assim que a guerra com o Irã terminar, os mercados financeiros provavelmente reagirão com uma alta rápida. Na sexta-feira à noite, o presidente Trump afirmou que os EUA estão se preparando para encerrar o conflito gradualmente. Assim que a notícia saiu, as ações quase que instantaneamente subiram no after-hours, mostrando essa tendência.
Hoje, os investidores estão jogando uma espécie de jogo de coragem. Quanto estão dispostos a suportar de retração para apostar que o governo Trump conseguirá um acordo de paz? Todos sabemos que, ao mudar o humor do mercado, quem estiver posicionado pode colher grandes lucros, mas acertar o momento exato é quase impossível. Você pode acabar com uma grande perda ou ficar de fora do rally.
Cada investidor tem sua estratégia. Mas uma coisa é certa… o movimento dos ativos financeiros está sendo influenciado pelos bombardeios no Oriente Médio, pelos preços do petróleo doméstico e pelos tweets do presidente. Viver neste tempo é, de fato, uma experiência única.