Os legisladores brasileiros equiparam as agências de segurança pública com um novo instrumento na luta contra o crime organizado: a capacidade de reaproveitar criptomoedas confiscadas para financiar esforços policiais. A Lei nº 15.358, aprovada pelo Congresso Nacional e publicada nesta semana, cria uma estrutura legal que trata os ativos digitais como instrumentos de crime que podem ser apreendidos, restringidos de trocas e redirecionados para apoiar operações policiais.
A medida amplia o arsenal policial além de dinheiro e bens tradicionais, permitindo às autoridades apreender ativos de criptomoedas ligados a atividades criminosas e, com autorização judicial, utilizá-los para reequipamento policial, treinamento e operações especiais. A lei sinaliza uma abordagem coordenada para recuperação de ativos que pode envolver cooperação internacional, refletindo o objetivo do Brasil de combater crimes relacionados a criptomoedas em escala global.
Principais pontos
Ativos digitais ligados a atividades criminosas podem ser considerados instrumentos de crime, possibilitando sua apreensão e a proibição de transações relacionadas em exchanges.
Os ativos confiscados podem ser utilizados provisoriamente para equipamentos policiais, treinamento e operações especiais, sob supervisão judicial.
A lei permite que o Brasil coopere com autoridades internacionais em investigações e recuperação de ativos, incluindo casos envolvendo ativos digitais.
Observadores destacam as possíveis implicações para as finanças públicas, dado o grande número de habitantes do Brasil e o uso disseminado de criptomoedas entre seus cidadãos.
Debates políticos paralelos no Brasil incluem discussões sobre uma reserva nacional de Bitcoin, com propostas que ressurgiram nos últimos anos.
O que a lei muda para a aplicação da lei e recuperação de ativos
De acordo com a tradução da Lei nº 15.358, o regime de apreensão trata qualquer ativo utilizado para cometer um crime como instrumento do crime, mesmo que não tenha sido criado exclusivamente para fins ilícitos. A lei esclarece que os ativos e bens apreendidos podem ser utilizados provisoriamente pelas agências de segurança pública para reforçar as capacidades policiais, mediante autorização do juiz responsável pela execução da sentença. Isso cria um caminho mais claro para que as autoridades liquidação ou realocação de ativos de criptomoedas recuperados em casos criminais para financiar prioridades policiais.
Os ativos e bens apreendidos podem ser utilizados provisoriamente pelas agências de segurança pública para reequipamento, treinamento e operações especiais, sob supervisão judicial.
Além da aplicação doméstica, a legislação prevê uma maior coordenação com parceiros internacionais para investigações e recuperação de ativos. As autoridades brasileiras argumentam que a cooperação transfronteiriça será essencial para desmantelar redes criminosas que utilizam criptomoedas e operam em múltiplas jurisdições. Com uma população superior a 213 milhões e uma presença crescente de atividades em criptomoedas, observadores afirmam que a lei pode ter implicações relevantes na forma como o Estado financia seu aparato de segurança e como os infratores enfrentam consequências que se estendem aos ativos digitais.
A medida também ocorre em meio a debates públicos sobre política de criptomoedas e tributação. Relatórios indicam que o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou um plano para adiar discussões sobre reforma tributária de criptomoedas para evitar divisões políticas profundas, e que as discussões seriam postergadas além da eleição presidencial de outubro. Essa postura acrescenta uma camada de incerteza política à abordagem mais ampla do Brasil em relação à regulação de criptomoedas, mesmo enquanto as autoridades de aplicação da lei adotam ferramentas agressivas de recuperação de ativos.
Paralelamente, o Brasil tem registrado atividades de fiscalização relevantes no espaço de criptomoedas. O relatório de crimes cibernéticos da TRM Labs de 2026 destaca uma extensa rede de lavagem de dinheiro e evasão de câmbio em 2025, que supostamente movimentou dezenas de bilhões de reais por meio de empresas de fachada, corretores OTC e carteiras não custodiais. O caso reforça a importância de mecanismos robustos de recuperação de ativos como uma ferramenta potencialmente eficaz no combate a redes criminosas sofisticadas que utilizam criptomoedas.
O cenário regulatório em evolução do Brasil e prioridades concorrentes
A abordagem legal do Brasil em relação às criptomoedas apreendidas está alinhada com debates mais amplos sobre a soberania financeira do país e ativos digitais. Uma linha de discussão separada trata da possibilidade de o Brasil estabelecer uma reserva nacional de Bitcoin. Uma proposta que surgiu em 2024 ressurgiu em 2025, com legisladores revisitando o quadro para potencialmente alocar uma parte do tesouro na compra de Bitcoin. Relatórios anteriores sugeriam opções que variavam de alguns pontos percentuais das reservas do tesouro até até um milhão de BTC, embora ainda não estivesse claro se a medida obteria apoio suficiente para avançar.
A tensão entre ferramentas de aplicação da lei fortalecidas e uma política fiscal mais ampla permanece como tema central. Enquanto a apreensão e o redirecionamento de ativos de criptomoedas para reforçar a segurança pública representam uma aplicação prática dos ativos confiscados, a ideia de uma reserva de BTC simboliza uma aposta estratégica de macroescala na criptomoeda como ativo estatal. Analistas observam que, mesmo que uma reserva permaneça uma aspiração, o simples fato de discutir essa possibilidade pode influenciar a forma como os mercados financeiros e as empresas de criptomoedas avaliam riscos relacionados a políticas, tributação e estruturas de custódia de ativos. Por ora, o impacto imediato da lei concentra-se na apreensão, confisco e uso dos recursos de criptomoedas para fortalecer as capacidades de aplicação da lei, sem ainda criar um estoque centralizado de ativos digitais.
Como qualquer mudança regulatória, os efeitos práticos dependerão de detalhes de implementação, supervisão judicial e do ritmo da cooperação internacional. A lei fornece uma estrutura, mas tribunais, promotores e parceiros internacionais definirão a intensidade com que os ativos digitais serão apreendidos, liquidados ou reaproveitados. Investidores e usuários devem acompanhar como as autoridades operacionalizarão o mecanismo em casos concretos, incluindo quais classes de ativos serão mais frequentemente alvo e como os recursos serão rastreados e contabilizados nos orçamentos de segurança pública.
Para quem acompanha a trajetória da política de criptomoedas do Brasil, os fios condutores — reforma tributária, clareza na aplicação da lei e a possibilidade de uma reserva nacional de BTC — serão essenciais para entender a postura de longo prazo do país em relação aos ativos digitais. A combinação de poderes de recuperação de ativos agressivos e uma política fiscal cautelosa sinaliza uma abordagem pragmática, focada na aplicação da lei a curto prazo, aliada a questões estratégicas sobre o papel das criptomoedas nas finanças nacionais.
Os leitores devem ficar atentos às decisões judiciais futuras que interpretarem e operacionalizarem a Lei nº 15.358, bem como a declarações do governo que esclareçam a posição oficial sobre tributação de criptomoedas e reservas de ativos. A dimensão transfronteiriça também dependerá de acordos de cooperação com outros países, que podem estabelecer precedentes sobre como países latino-americanos coordenarão investigações relacionadas a criptomoedas e crimes nos próximos anos.
Referências a desenvolvimentos relacionados, como a expansão do sistema de pagamentos Pix e mudanças nas discussões sobre tributação de criptomoedas, oferecem contexto para o ambiente regulatório mais amplo. Por exemplo, a expansão do Pix para a Argentina e debates sobre tributação de criptomoedas fornecem um pano de fundo para a operação dessa nova estrutura de apreensão. Enquanto isso, as descobertas da TRM Labs ilustram a escala de redes criminosas de financiamento que as medidas de recuperação de ativos visam desmantelar.
À medida que o Brasil avança, participantes do mercado e cidadãos devem acompanhar como a lei será aplicada em casos concretos, a velocidade da cooperação internacional e se propostas fiscais mais amplas — como uma possível reserva de Bitcoin — avançarão em conjunto com as ações de fiscalização. Os meses seguintes poderão revelar como o Brasil equilibra objetivos de segurança com a crescente integração das criptomoedas na vida cotidiana e na economia nacional.
Este artigo foi originalmente publicado como Brasil aprova lei que permite que criptomoedas confiscadas apoiem a segurança pública na Crypto Breaking News — sua fonte confiável de notícias de criptomoedas, Bitcoin e atualizações de blockchain.