A queda acentuada de 12% do ouro em março: a verdade por detrás da derrocada da alavancagem e das orientações do banco central a provocar instabilidade nos mercados

Notícias da Gate News: em março de 2026, o ouro registou um dos recuos mais acentuados dos últimos anos, com uma queda mensal de 12%, levando o mercado a reavaliar os riscos estruturais do preço do ouro. Os dados mostram que, desde o máximo intradiário de janeiro em 5626 dólares, o preço do ouro caiu de forma acentuada, tendo chegado a 4376 dólares; depois, recuperou para cerca de 4679 dólares, mas ainda significativamente abaixo dos níveis do início do ano.

A principal razão para esta queda prende-se com um desequilíbrio na estrutura de alavancagem do mercado. A analista do Goldman Sachs, Lina Thomas, afirmou que, ao longo de janeiro, a procura por opções de compra de ouro atingiu um máximo histórico, o que impulsionou de forma marcada a taxa de alavancagem do mercado. Com a progressão do conflito geopolítico “Operation Epic Fury”, os traders concentraram-se em reduzir alavancagem, encerrando em massa posições compradas de ouro, levando a uma descida rápida do preço. É de salientar que alguns investidores tinham anteriormente utilizado o ouro como ferramenta para se proteger do risco de quedas nas ações tecnológicas e do risco de posições vendidas em bitcoin; quando os ativos de risco oscilaram em simultâneo, a lógica de cobertura falhou, aumentando a pressão de venda.

Os factores macroeconómicos também amplificaram o impacto. Em março, o índice do dólar ultrapassou 100, enfraquecendo o atractivo do ouro cotado em dólares. Além disso, surgiram notícias de que alguns países poderão estar a vender reservas de ouro, incluindo a Turquia, para estabilizar a moeda nacional, a Polónia, para financiar a defesa, e alguns países do Golfo, para responder a choques no comércio energético. Embora esses rumores não estejam totalmente confirmados, estão a pressionar o sentimento do mercado.

Apesar do aumento da volatilidade a curto prazo, as instituições mantêm as suas perspectivas de alta para o médio e longo prazo. O Goldman Sachs continua a prever que o preço do ouro poderá atingir 5400 dólares até ao final de 2026, considerando que as compras contínuas de ouro por parte dos bancos centrais constituirão um apoio fundamental. A analista do UBS, Joni Teves, ajustou ligeiramente o preço-alvo para 5000 dólares, mas afirmou que, se o abrandamento da economia global levar a uma mudança na política monetária para um tom mais expansionista, o ouro ainda tem espaço para subir.

Neste momento, o mercado do ouro encontra-se numa fase em que a redução de alavancagem se cruza com a luta macroeconómica. A volatilidade do preço reflecte o ajustamento da estrutura dos fundos e a reconfiguração das expectativas. O rumo futuro dependerá da força do dólar, das acções dos bancos centrais e da evolução do contexto económico global.

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