Contratos de café arábica de março caíram na quinta-feira em meio a previsões de chuvas constantes nas principais regiões produtoras do Brasil, enquanto o café robusta subiu com expectativas de precipitação limitada no Vietname. Os padrões climáticos divergentes criaram dinâmicas de mercado contrastantes para as duas principais variedades de café, destacando como as condições regionais continuam a moldar os preços globais.
Previsões de chuva pesam sobre os preços do arábica brasileiro
Os preços do arábica brasileiro enfrentaram obstáculos na quinta-feira, pois meteorologistas previram chuvas substanciais na próxima semana em Minas Gerais, maior região produtora de café do país. A previsão de clima adverso pressionou os contratos de março de arábica, que fecharam com uma queda de 5,50 pontos, ou 1,57%. Essa queda impulsionada pelo clima reflete preocupações dos traders sobre possíveis impactos na safra e nas condições de floração nas regiões de arábica do Brasil.
Dados recentes de precipitação da Somar Meteorologia apresentaram um quadro misto para os produtores de café brasileiros. Na semana que terminou em 16 de janeiro, Minas Gerais recebeu 33,9 mm de chuva, representando apenas 53% da média histórica. Embora essa precipitação abaixo da média inicialmente tenha apoiado os preços ao aumentar as preocupações com o abastecimento, as previsões de chuvas constantes na semana seguinte mudaram o sentimento do mercado, criando a pressão de baixa observada na quinta-feira.
Surto na produção brasileira compensa fraqueza nas exportações
A trajetória de produção de café do Brasil apresenta uma história complexa para os participantes do mercado. A Conab, agência oficial de previsão de safra do país, elevou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, projetando uma produção total de 56,54 milhões de sacos de café brasileiro, acima dos 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. Apesar dessa força na produção, as exportações de café brasileiro mostraram fraqueza inesperada recentemente.
A Cecafe informou que as exportações totais de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4% em relação ao ano anterior, totalizando 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda mais ampla, as exportações de arábica contraíram 10% ano a ano, atingindo 2,6 milhões de sacos, enquanto as remessas de robusta tiveram uma queda mais acentuada de 61% em relação ao ano anterior, chegando a 222.147 sacos. Essa fraqueza nas exportações, apesar das estimativas robustas de produção, sugere possível acumulação de estoques ou mudanças nos padrões comerciais do café brasileiro.
Dinâmica de oferta global de café indica disponibilidade abundante
A recuperação nos estoques de café monitorados pelo ICE reflete a tendência mais ampla de estoques globais abundantes, limitando os preços. Os estoques de arábica, que haviam caído para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperaram-se para um máximo de 2,5 meses de 461.829 sacos em 14 de janeiro. De forma semelhante, os estoques de robusta, que atingiram um mínimo de 1 ano de 4.012 lotes em 10 de dezembro, recuperaram-se para um máximo de 1,75 meses de 4.609 lotes recentemente.
Dados da Organização Internacional do Café reforçam essa visão de estoques globais suficientes. A ICO relatou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual diminuíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 138,658 milhões de sacos, indicando fluxos relativamente estáveis apesar das variações na produção. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, exercendo pressão contínua sobre os preços devido à oferta abundante.
Surto de robusta no Vietname cria pressão competitiva
Em contraste com os desafios brasileiros, a produção e exportação de robusta no Vietname aumentaram, oferecendo uma fonte alternativa de oferta. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname informou que as exportações de café de 2025 saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Olhando para o futuro, a produção de café do Vietname está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, chegando a 1,76 milhões de toneladas métricas em 2025/26, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos — o maior nível em 4 anos.
Esse crescimento na oferta vietnamita reflete condições climáticas favoráveis e uma gestão eficiente das lavouras. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que, se o clima permanecer favorável, a produção de café de 2025/26 poderá ser 10% maior do que na colheita anterior. A emergência do Vietname como principal produtor mundial de robusta significa que fornecimentos abundantes dessa fonte importante provavelmente continuarão a pressionar os preços do robusta, mesmo com o arábica brasileiro enfrentando restrições relacionadas ao clima.
Perspectivas futuras: mudanças estruturais nos mercados globais de café
A avaliação semestral do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro detalhado para os mercados de café à frente. Embora a produção mundial atinja níveis recordes em 2025/26, a composição é altamente relevante. A produção de arábica deve diminuir 4,7% em relação ao ano anterior, atingindo 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacos. Essa expansão do robusta, fortemente impulsionada pelos aumentos no Vietname, provavelmente manterá a pressão de preços nessa variedade.
Para o café brasileiro especificamente, o FAS projeta uma queda de 3,1% na produção de 2025/26, chegando a 63 milhões de sacos em comparação ao ano anterior, sugerindo que a força de produção de curto prazo pode não se sustentar. Por outro lado, a produção do Vietname em 2025/26 deve aumentar 6,2% em relação ao ano anterior, atingindo um máximo de 4 anos de 30,8 milhões de sacos. A combinação da redução na produção de arábica brasileira e o aumento na oferta de robusta vietnamita cria pressões divergentes no mercado.
No que diz respeito aos estoques, o FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, indicando que, embora as ofertas permaneçam abundantes, a trajetória aponta para condições mais restritas. Essa redução incremental pode, eventualmente, sustentar os preços, especialmente do café brasileiro, caso as quedas na produção se concretizem conforme previsto.
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O mercado brasileiro de café enfrenta pressões mistas: desafios na Arabica versus impulso na Robusta
Contratos de café arábica de março caíram na quinta-feira em meio a previsões de chuvas constantes nas principais regiões produtoras do Brasil, enquanto o café robusta subiu com expectativas de precipitação limitada no Vietname. Os padrões climáticos divergentes criaram dinâmicas de mercado contrastantes para as duas principais variedades de café, destacando como as condições regionais continuam a moldar os preços globais.
Previsões de chuva pesam sobre os preços do arábica brasileiro
Os preços do arábica brasileiro enfrentaram obstáculos na quinta-feira, pois meteorologistas previram chuvas substanciais na próxima semana em Minas Gerais, maior região produtora de café do país. A previsão de clima adverso pressionou os contratos de março de arábica, que fecharam com uma queda de 5,50 pontos, ou 1,57%. Essa queda impulsionada pelo clima reflete preocupações dos traders sobre possíveis impactos na safra e nas condições de floração nas regiões de arábica do Brasil.
Dados recentes de precipitação da Somar Meteorologia apresentaram um quadro misto para os produtores de café brasileiros. Na semana que terminou em 16 de janeiro, Minas Gerais recebeu 33,9 mm de chuva, representando apenas 53% da média histórica. Embora essa precipitação abaixo da média inicialmente tenha apoiado os preços ao aumentar as preocupações com o abastecimento, as previsões de chuvas constantes na semana seguinte mudaram o sentimento do mercado, criando a pressão de baixa observada na quinta-feira.
Surto na produção brasileira compensa fraqueza nas exportações
A trajetória de produção de café do Brasil apresenta uma história complexa para os participantes do mercado. A Conab, agência oficial de previsão de safra do país, elevou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, projetando uma produção total de 56,54 milhões de sacos de café brasileiro, acima dos 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. Apesar dessa força na produção, as exportações de café brasileiro mostraram fraqueza inesperada recentemente.
A Cecafe informou que as exportações totais de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4% em relação ao ano anterior, totalizando 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda mais ampla, as exportações de arábica contraíram 10% ano a ano, atingindo 2,6 milhões de sacos, enquanto as remessas de robusta tiveram uma queda mais acentuada de 61% em relação ao ano anterior, chegando a 222.147 sacos. Essa fraqueza nas exportações, apesar das estimativas robustas de produção, sugere possível acumulação de estoques ou mudanças nos padrões comerciais do café brasileiro.
Dinâmica de oferta global de café indica disponibilidade abundante
A recuperação nos estoques de café monitorados pelo ICE reflete a tendência mais ampla de estoques globais abundantes, limitando os preços. Os estoques de arábica, que haviam caído para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em 20 de novembro, recuperaram-se para um máximo de 2,5 meses de 461.829 sacos em 14 de janeiro. De forma semelhante, os estoques de robusta, que atingiram um mínimo de 1 ano de 4.012 lotes em 10 de dezembro, recuperaram-se para um máximo de 1,75 meses de 4.609 lotes recentemente.
Dados da Organização Internacional do Café reforçam essa visão de estoques globais suficientes. A ICO relatou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual diminuíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 138,658 milhões de sacos, indicando fluxos relativamente estáveis apesar das variações na produção. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos, exercendo pressão contínua sobre os preços devido à oferta abundante.
Surto de robusta no Vietname cria pressão competitiva
Em contraste com os desafios brasileiros, a produção e exportação de robusta no Vietname aumentaram, oferecendo uma fonte alternativa de oferta. O Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname informou que as exportações de café de 2025 saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas. Olhando para o futuro, a produção de café do Vietname está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, chegando a 1,76 milhões de toneladas métricas em 2025/26, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos — o maior nível em 4 anos.
Esse crescimento na oferta vietnamita reflete condições climáticas favoráveis e uma gestão eficiente das lavouras. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que, se o clima permanecer favorável, a produção de café de 2025/26 poderá ser 10% maior do que na colheita anterior. A emergência do Vietname como principal produtor mundial de robusta significa que fornecimentos abundantes dessa fonte importante provavelmente continuarão a pressionar os preços do robusta, mesmo com o arábica brasileiro enfrentando restrições relacionadas ao clima.
Perspectivas futuras: mudanças estruturais nos mercados globais de café
A avaliação semestral do Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou um quadro detalhado para os mercados de café à frente. Embora a produção mundial atinja níveis recordes em 2025/26, a composição é altamente relevante. A produção de arábica deve diminuir 4,7% em relação ao ano anterior, atingindo 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve crescer 10,9%, chegando a 83,333 milhões de sacos. Essa expansão do robusta, fortemente impulsionada pelos aumentos no Vietname, provavelmente manterá a pressão de preços nessa variedade.
Para o café brasileiro especificamente, o FAS projeta uma queda de 3,1% na produção de 2025/26, chegando a 63 milhões de sacos em comparação ao ano anterior, sugerindo que a força de produção de curto prazo pode não se sustentar. Por outro lado, a produção do Vietname em 2025/26 deve aumentar 6,2% em relação ao ano anterior, atingindo um máximo de 4 anos de 30,8 milhões de sacos. A combinação da redução na produção de arábica brasileira e o aumento na oferta de robusta vietnamita cria pressões divergentes no mercado.
No que diz respeito aos estoques, o FAS projeta que os estoques finais de 2025/26 diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, indicando que, embora as ofertas permaneçam abundantes, a trajetória aponta para condições mais restritas. Essa redução incremental pode, eventualmente, sustentar os preços, especialmente do café brasileiro, caso as quedas na produção se concretizem conforme previsto.