Quando ações quânticas como a D-Wave Quantum (NYSE: QBTS) sofrem quedas acentuadas — neste caso, uma queda de 38% em três meses — os investidores enfrentam um dilema clássico: será esta uma oportunidade de comprar ativos de qualidade com desconto ou um sinal de problemas mais profundos? Para responder a essa questão, é preciso olhar além dos títulos e examinar a posição financeira real da empresa.
A Onda da Computação Quântica: Por que os Investidores Estavam Inicialmente Entusiasmados
O setor de computação quântica tem capturado a imaginação dos investidores nos últimos anos, e por boas razões. A consultora McKinsey projeta que o mercado quântico pode atingir 100 bilhões de dólares até 2035. A tecnologia promete revolucionar múltiplas indústrias — desde a descoberta de medicamentos até inteligência artificial e ciência dos materiais. É o tipo de tecnologia de grande potencial que atrai tanto capital de risco quanto investidores de varejo.
A D-Wave emergiu como um ator de destaque nesse espaço. Nos últimos três anos, suas ações tiveram retornos de aproximadamente 1.600% — um desempenho que, naturalmente, gerou grande burburinho. Mais recentemente, a empresa mostrou sinais de progresso operacional: a receita do terceiro trimestre de 2025 dobrou, a empresa garantiu várias parcerias comerciais e de pesquisa, e possui 836 milhões de dólares em reservas de caixa — o maior valor de sua história. Além disso, a D-Wave investiu 550 milhões de dólares na aquisição da Quantum Circuits, sinalizando um investimento sério para acelerar suas capacidades comerciais.
Esses desenvolvimentos pareciam validar o otimismo dos investidores quanto à trajetória da empresa dentro do cenário mais amplo de ações quânticas.
Crescimento de Receita Oculta a Realidade dos Desafios Financeiros da D-Wave
Aqui é que a situação se torna mais complexa. Embora a receita do terceiro trimestre de 2025 tenha dobrado, o número real conta uma história diferente: apenas 3,7 milhões de dólares. Para colocar em perspectiva, a empresa reportou uma perda líquida de 140 milhões de dólares sob os padrões contábeis GAAP nesse mesmo trimestre. Essa relação de perda para receita mostra o quão longe a D-Wave ainda está de alcançar a rentabilidade.
Além disso, apesar de possuir reservas de caixa substanciais, a taxa de queima de caixa da empresa está acelerando. As despesas operacionais aumentaram 40% em relação ao ano anterior no terceiro trimestre de 2025, agora ultrapassando os 30 milhões de dólares por trimestre. Embora as reservas atuais devam sustentar as operações por um período considerável, os investidores devem reconhecer que esse prazo é finito, especialmente se o caminho para a receita não acelerar dramaticamente.
Preocupações com a Valoração: Por que as Ações Quânticas Ainda Podem Ter Prêmios Excessivos
Mesmo após a recente queda de 38%, a avaliação da D-Wave permanece em território de bolha. A empresa é negociada a um índice preço-vendas (P/S) de aproximadamente 280 — em comparação com a média do setor de tecnologia, que é inferior a 9. Essa métrica revela uma verdade fundamental: os investidores estão pagando um prêmio de 30 vezes em relação à indústria de tecnologia mais ampla por uma empresa com receita mínima, custos crescentes e sem uma rota clara para a rentabilidade.
Essa avaliação assume um crescimento e sucesso extraordinários. Assume que a computação quântica atingirá viabilidade comercial mais cedo do que tarde. No entanto, até mesmo players otimistas do setor, incluindo o Alphabet, reconhecem que computadores quânticos “úteis” ainda estão a 5-10 anos de distância. Para uma tecnologia ainda em estágio inicial, a avaliação atual da D-Wave parece precificar uma execução quase perfeita, com margem mínima para erro.
O Paradoxo das Ações Quânticas: Oportunidade versus Risco
O setor mais amplo de ações quânticas apresenta um paradoxo genuíno. A oportunidade de longo prazo é real — a projeção de 100 bilhões de dólares até 2035 da McKinsey não é uma especulação louca. Mas o timing, a execução e a competição são variáveis críticas. Muitas empresas de computação quântica estão lutando para aumentar suas receitas, o que torna o progresso da D-Wave notável de uma perspectiva relativa. No entanto, progresso relativo não resolve o problema da avaliação.
Tomada de Decisão de Investimento
Devo comprar D-Wave na queda? As contas sugerem cautela. Um investidor hoje estaria pagando 280 vezes as vendas por uma empresa que pode alcançar a rentabilidade em 3 a 5 anos — se tudo correr bem. Para comparação, mesmo ações de tecnologia consideradas “caras” normalmente negociam entre 5 e 15 vezes as vendas.
O cálculo risco-retorno fica mais claro ao considerar que a computação quântica ainda é especulativa. Embora a tecnologia tenha potencial genuíno, não há garantia de que ela cumprirá as expectativas no prazo que justifique as avaliações atuais. Para as ações quânticas em geral, o entusiasmo pode estar superando a realidade.
A recomendação é simples: espere por um crescimento de receita significativamente maior, uma avaliação muito mais baixa ou ambos. A queda de 38% foi um passo na direção certa, mas para investidores pacientes, ações quânticas como a D-Wave podem oferecer melhores pontos de entrada no futuro.
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Declínio de 38% da D-Wave: Uma oportunidade de compra em ações quânticas ou uma armadilha especulativa?
Quando ações quânticas como a D-Wave Quantum (NYSE: QBTS) sofrem quedas acentuadas — neste caso, uma queda de 38% em três meses — os investidores enfrentam um dilema clássico: será esta uma oportunidade de comprar ativos de qualidade com desconto ou um sinal de problemas mais profundos? Para responder a essa questão, é preciso olhar além dos títulos e examinar a posição financeira real da empresa.
A Onda da Computação Quântica: Por que os Investidores Estavam Inicialmente Entusiasmados
O setor de computação quântica tem capturado a imaginação dos investidores nos últimos anos, e por boas razões. A consultora McKinsey projeta que o mercado quântico pode atingir 100 bilhões de dólares até 2035. A tecnologia promete revolucionar múltiplas indústrias — desde a descoberta de medicamentos até inteligência artificial e ciência dos materiais. É o tipo de tecnologia de grande potencial que atrai tanto capital de risco quanto investidores de varejo.
A D-Wave emergiu como um ator de destaque nesse espaço. Nos últimos três anos, suas ações tiveram retornos de aproximadamente 1.600% — um desempenho que, naturalmente, gerou grande burburinho. Mais recentemente, a empresa mostrou sinais de progresso operacional: a receita do terceiro trimestre de 2025 dobrou, a empresa garantiu várias parcerias comerciais e de pesquisa, e possui 836 milhões de dólares em reservas de caixa — o maior valor de sua história. Além disso, a D-Wave investiu 550 milhões de dólares na aquisição da Quantum Circuits, sinalizando um investimento sério para acelerar suas capacidades comerciais.
Esses desenvolvimentos pareciam validar o otimismo dos investidores quanto à trajetória da empresa dentro do cenário mais amplo de ações quânticas.
Crescimento de Receita Oculta a Realidade dos Desafios Financeiros da D-Wave
Aqui é que a situação se torna mais complexa. Embora a receita do terceiro trimestre de 2025 tenha dobrado, o número real conta uma história diferente: apenas 3,7 milhões de dólares. Para colocar em perspectiva, a empresa reportou uma perda líquida de 140 milhões de dólares sob os padrões contábeis GAAP nesse mesmo trimestre. Essa relação de perda para receita mostra o quão longe a D-Wave ainda está de alcançar a rentabilidade.
Além disso, apesar de possuir reservas de caixa substanciais, a taxa de queima de caixa da empresa está acelerando. As despesas operacionais aumentaram 40% em relação ao ano anterior no terceiro trimestre de 2025, agora ultrapassando os 30 milhões de dólares por trimestre. Embora as reservas atuais devam sustentar as operações por um período considerável, os investidores devem reconhecer que esse prazo é finito, especialmente se o caminho para a receita não acelerar dramaticamente.
Preocupações com a Valoração: Por que as Ações Quânticas Ainda Podem Ter Prêmios Excessivos
Mesmo após a recente queda de 38%, a avaliação da D-Wave permanece em território de bolha. A empresa é negociada a um índice preço-vendas (P/S) de aproximadamente 280 — em comparação com a média do setor de tecnologia, que é inferior a 9. Essa métrica revela uma verdade fundamental: os investidores estão pagando um prêmio de 30 vezes em relação à indústria de tecnologia mais ampla por uma empresa com receita mínima, custos crescentes e sem uma rota clara para a rentabilidade.
Essa avaliação assume um crescimento e sucesso extraordinários. Assume que a computação quântica atingirá viabilidade comercial mais cedo do que tarde. No entanto, até mesmo players otimistas do setor, incluindo o Alphabet, reconhecem que computadores quânticos “úteis” ainda estão a 5-10 anos de distância. Para uma tecnologia ainda em estágio inicial, a avaliação atual da D-Wave parece precificar uma execução quase perfeita, com margem mínima para erro.
O Paradoxo das Ações Quânticas: Oportunidade versus Risco
O setor mais amplo de ações quânticas apresenta um paradoxo genuíno. A oportunidade de longo prazo é real — a projeção de 100 bilhões de dólares até 2035 da McKinsey não é uma especulação louca. Mas o timing, a execução e a competição são variáveis críticas. Muitas empresas de computação quântica estão lutando para aumentar suas receitas, o que torna o progresso da D-Wave notável de uma perspectiva relativa. No entanto, progresso relativo não resolve o problema da avaliação.
Tomada de Decisão de Investimento
Devo comprar D-Wave na queda? As contas sugerem cautela. Um investidor hoje estaria pagando 280 vezes as vendas por uma empresa que pode alcançar a rentabilidade em 3 a 5 anos — se tudo correr bem. Para comparação, mesmo ações de tecnologia consideradas “caras” normalmente negociam entre 5 e 15 vezes as vendas.
O cálculo risco-retorno fica mais claro ao considerar que a computação quântica ainda é especulativa. Embora a tecnologia tenha potencial genuíno, não há garantia de que ela cumprirá as expectativas no prazo que justifique as avaliações atuais. Para as ações quânticas em geral, o entusiasmo pode estar superando a realidade.
A recomendação é simples: espere por um crescimento de receita significativamente maior, uma avaliação muito mais baixa ou ambos. A queda de 38% foi um passo na direção certa, mas para investidores pacientes, ações quânticas como a D-Wave podem oferecer melhores pontos de entrada no futuro.